A Rainha de Inglaterra
condecorou Margaret Jull Costa com a Ordem do Império Britânico. A Rainha de
Inglaterra sabe que existem tradutores e também que existem tradutores que
contribuem para o enriquecimento da literatura. Nos intervalos dos seus acessos
vagais em público – porque ele é o vácuo em pessoa – alguma vez o nosso
Presidente terá ouvido falar de tradutores, ou até mesmo de literatura? E o
Primeiro-Ministro. Eles são como o
algodão: não enganam. Os escribas de serviço lá metem umas buchas eruditas nos
discursos quando é preciso e, quando morre algum intelectual, “reconhecem”
sempre o seu contributo blá, blá, blá, mas percebe-se que temos ignorantes a
mandar em nós. Imagine-se agora o Presidente a condecorar um tradutor! Eu até
nem me arrependia de continuar neste país.
Margaret Jull Costa é, na realidade, um exemplo no
mundo da tradução e na divulgação da cultua portuguesa além-fronteiras. Algum
tradutor se imagina a traduzir O Livro do Desassossego, as obras de
Saramago ou de Eça de Queirós? Eu própria li traduções dela, com o espírito de quem está a
aprender com um grande mestre, e não tenho dúvidas sobre a qualidade do seu
trabalho. Felizmente, defende que o objectivo da tradução é produzir um texto
que pareça ter sido escrito em inglês, mas sem distorcer o original,
reconhecendo quão difícil isso é. Compara-se a um actor ou um músico, por
conseguir adaptar-se às diferentes vozes dos autores que traduz.
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