domingo, 15 de junho de 2014

Uma tradutora condecorada!

A Rainha de Inglaterra condecorou Margaret Jull Costa com a Ordem do Império Britânico. A Rainha de Inglaterra sabe que existem tradutores e também que existem tradutores que contribuem para o enriquecimento da literatura. Nos intervalos dos seus acessos vagais em público – porque ele é o vácuo em pessoa – alguma vez o nosso Presidente terá ouvido falar de tradutores, ou até mesmo de literatura? E o Primeiro-Ministro. Eles são como o algodão: não enganam. Os escribas de serviço lá metem umas buchas eruditas nos discursos quando é preciso e, quando morre algum intelectual, “reconhecem” sempre o seu contributo blá, blá, blá, mas percebe-se que temos ignorantes a mandar em nós. Imagine-se agora o Presidente a condecorar um tradutor! Eu até nem me arrependia de continuar neste país.

Margaret Jull Costa é, na realidade, um exemplo no mundo da tradução e na divulgação da cultua portuguesa além-fronteiras. Algum tradutor se imagina a traduzir O Livro do Desassossego, as obras de Saramago ou de Eça de Queirós? Eu própria li traduções dela, com o espírito de quem está a aprender com um grande mestre, e não tenho dúvidas sobre a qualidade do seu trabalho. Felizmente, defende que o objectivo da tradução é produzir um texto que pareça ter sido escrito em inglês, mas sem distorcer o original, reconhecendo quão difícil isso é. Compara-se a um actor ou um músico, por conseguir adaptar-se às diferentes vozes dos autores que traduz. 

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