Numa crónica no jornal Público, José Eduardo Agualusa, descreveu desta forma "o tradutor":
"No processo de produção de um livro, proveniente de uma
outra língua, o tradutor é, naturalmente, uma figura fundamental, porém quase
sempre esquecida. Os críticos literários e jornalistas culturais só muito
raramente elogiam a qualidade da tradução. Na esmagadora maioria das vezes
apenas se referem ao tradutor para apontar falhas.
Escrever é, quase sempre, um exercício de alteridade, pois
todo o esforço do escritor se concentra em ser um outro, a personagem que
descreve…
Traduzir implica um esforço não menor: o tradutor tem de se
colocar no lugar do escritor, tem de ser o escritor, mas numa língua diferente.
O desafio consiste em transpor para um outro idioma não apenas o sentido das
frases, com todos os jogos de palavras e outros artifícios, mas também o seu
ritmo e melodia.
Durante um Seminário de tradução em Norwich, na Universidade de East Anglia, onde a única tradutora a tempo inteiro presente era Maria do Carmo Figueira, foram vários os que se
assumiram como escritores frustrados. Mas também houve quem afirmasse o oposto:
“Para quê ser apenas um escritor, talvez não tão bom, se posso ser muitos, e
bons?” Concordo.
José Eduardo Agualusa
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