My fellow translators: Sei que sabem o que eu estou a sentir. Quando estamos a traduzir um livro muito mau, muito mal escrito, cheio de adjectivos repetidos até à exaustão, de descrições patéticas, sabem a dificuldade que temos em evitar escrever um outro livro melhor em português, cortar, simplificar, fluidificar. Sabem do que eu estou a falar, não sabem? Já me aconteceu várias vezes. A primeira vez foi com um livro dos Ficheiros Secretos em que o mau da história era um infeliz com uma cicatriz na cara. Por isso, sempre que ele entrava em cena - e estava quase sempre em cena!!!! - era infalivelmente descrito como o Fulano de tal com uma cicatriz, o homem com a cicatriz, a cicatriz, trinta vez por página, e eu a dar voltas à cabeça e à página para arrumar de vez aquele assunto da cicatriz.
O caso agora é outro. São parágrafos inteiros de flashbacks recorrentes, em que posso fazer COPY e PASTE. Estou tãããooo cansada! Os editores deviam premiar-nos neste caso por termos capacidade crítica para tornar o detestável mais aceitável, não acham?
PS: Há 25 anos a esta hora estava eu no hospital a querer que o meu filho nascesse em Maio. E o estupor fez-me sofrer o dia inteiro e nasceu às 00:45 do dia 1 de Junho! Continua a ser um rapaz com uma personalidade muito forte...
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